Um passado que muda de repente...
Sentimentos se transformando, se metamorfoseando em coisas sem razão.Tempo distante de alegria que agora não passa de saudade... de um aceno à distância, cumprimento frio de quem não mais se conhece.
Às vezes as diferenças realmente importam.
Não acho que deveriam mas, talvez, por sorte, o mundo não seja como quero e as coisas não aconteçam como se estivessem escritas em algum manual de instruções.
Pessoas mudam para evoluir.
Ou ao menos seria este o caminho lógico.
Em instantes me pego pensando se o mundo regrediu, se estagnei ou se estamos no lado avesso daquilo o que seria a vida real... confuso demais.
Pensamentos estranhos invadindo a mente sem permissão.
Já dispensei-os inúmeras vezes, mas sempre voltam...
Voltam porque acham que têm algo a dizer.
Mas nem sempre estou disposta a ouvir. Ainda que digam a verdade do que é certo, o caminho livre de problemas, sem pedras nem espinhos.
O que há exatamente de errado com pedras e espinhos? Com cortes e tropeços?
Acho-os necessário muitas vezes, pois tornam o aprendizado mais profundo e entranhado.
Sentir é complicado...
Mas quem disse que não deveria ser?
Aonde está escrito que tudo deveria ser fácil?
Por outro lado, complicações em excesso nunca mantiveram equilibrada a balança entre alegrias e tristezas.
Talvez faça mais sentido não sentir, não se importar com ninguém e viver uma vida egoísta, sem elos nem significado.
Uma vida sem melhores amigos, sem família unida e relacionamentos que durem mais do que um dia...
Uma vida de objetivos vagos, vitórias solitárias e derrotas em si mesmo.
Fragmentos da loucura acorrentada pela razão...
são estas as palavras que não deveria dizer.
Faz diferença ser alguém que sente e se importa, quando ninguém mais pensa desse jeito, quando parece que ninguém está nem aí pra coisa nenhuma?
Essa é uma daquelas certezas que nunca vamos ter; que buscamos incansávelmente até descobrir que a resposta é o vazio.
É a pergunta que nunca foi feita. Algo nunca refletido antes.
Uma busca vã atrás de respostas para tentar desfazer os nós que, voluntária ou involuntáriamente, se formam em nossas vidas.
